
A primeira fase do meu reveillon foi aquela mais triste. E não tinha mesmo como ser diferente.
Minutos antes da virada o homem caia em si de seu contexto. Não sabia se chorava, se revoltava ou aceitava. Fez tudo ao mesmo tempo com uma frase tão dolorosa quanto bonita.
- Já sei de tudo... estou sentindo tudo... Então fica assim, pronto! Marcus, vc está bem né ?
Aquele ambiente branco e limpo... é o frio. A fase do inverno. Palavra esta que com a pequeno mudança de um ínfimo traço sonoro, torna-se inferno.
Aquela arrecadação de fim de ano não pesava bem, e a balança sempre pendia pro lado errado.

A segunda fase foi a do não pensar.
Essa fase é dificil de traduzir em palavras.
Mas meio sem saber porquê, fui até o porto da barra, parei o carro e me misturei. Fui sentir a energia viva, de gente mesmo. Comprei as rosas, meu gesto automático.
Ofereci as rosas, e mesmo que ela não tenha aceitado, tanto faz, pq eu não pedi nada mesmo. Eu fui lá é pra agradecer...
E pra entender coisas que a gente só entende sem saber como. Não faz parte de nenhum movimento racional de entender ou de aceitar.
E assim nadava, brincava com os peixes, olhava pra água e não sentia nem dor, nem tristeza, nem alegria e muito menos felicidade.

A terceira fase a do aproveitamento.
Nada melhor que uma feijoada para abrir o ano, no meu lugar preferido (para feijoadas), com o carisma de Tia Célia.
Puta quil pariu, que maravilha dos deuses, que felicidade ter aquele feijãozinho...
Foi quando me senti feliz, muito feliz, agradeci por tudo que me permite saborear uma comida como aquela e me senti satisfeito.
No fim, compreendi que mesmo a balança pesando pro lado errado, quem disse que eu quero o lado pesado ?
Vamos ficar com as coisas boas.

Sobre a quarta fase, pouco posso falar...
Está por começar e inclui a publicação deste texto ( porra, que metalinguagem ), uma ligação pro amor, um filme no cinema e uma noite no hospital (dissertação que é bom,nada)
Equilibrado né ?