segunda-feira, 30 de março de 2009

Malungos, cantadores e menestréis

Acho interessante que a música da qual realmente não tenho nada a reclamar, e que preenche minha alma, more aqui tão perto de mim.

Gostaria de saber de onde vem esse lado rural, não necessariamente rural, mas esse lado do contato real com a natureza mesmo, que tanto me faz falta.

Como um rapaz urbano pode se identificar tanto com uma obra que não fala sobre sua realidade?

Vídeo lindo. O melhor do mestre.

quarta-feira, 25 de março de 2009

boing ping boom tschak ping - MUSIC NON STOP


Estava eu no show do Kraftwerk, após uma maravilhosa apresentação do Los Hermanos (com um echo/delay que ainda tornou o show mais divertido. Acho que eu fui o único a ouvir o Dub Hermanos). Antes do impecável e lindo concerto do Radiohead.

Estava adorando... Super bem acompanhado, me divertindo, achando ótimo ver aqueles pioneiros do eletrônico fazendo um som, cheios de concepção... Virando robôs no palco, tudo computadorizado, meu lado Nerd tava amarradão, apesar do desânimo ao meu redor.

Conhecia um pouco, é verdade... Mas fui com as minhas preferidas na cabeça - Pocket Calculator, Machine e Music Non Stop.

Até que de inesperado - Veio aquele som invandindo a minha cabeça, som de um motor sendo ligado. Tive uma epifania muito clara. Tinha esquecido de uma música que fez parte da minha infancia... Como pode ?

Lembrei do dia que meu irmão comprou o vinil do Kraftwerk - Vinil chamado Autobahn. E lembrei como aquela música virou meu hino de jogar Atari... Mas especificamente Enduro.

Quantas tardes eu joguei enduro com Kraftwerk rolando ? Eu lá sabia quem eram esses caras, eu lá entendia aquele idioma ? Não entendo até hoje !!! Eu gostava era dos barulhinhos de buzina e motores e daquele tecladinho que faz aquela melodia, que parece a melodia de Also Sprach Zarathustra ( como percebi anos depois, mais precisamente, hoje...)

Peguei o vinil, o mesmo, tirei a foto, e coloquei na vitrola... Estou adorando. Descobri que é bom para escrever dissertações. Ahhh, pela primeira vez, virei o vinil.

Não tardará até que eu baixe um emulador de Atari.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Metamorfose


No meio de tanta gente que já participou do meu íntimo, e que já me fez feliz, senti-me um verdadeiro e fugitivo peixe fora d'água.

Se continuar assim, gostando daqui de fora, aí é que fudeu Maria Preá.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Wake up this morning...

Pelo que vejo do mundo musical, a formula atual é fazer musica com uns 30 ou 40 anos de atraso e dizer que é novo.

As músicas são piores do que aquelas da época, mas esse tal público não ouviu aquelas mesmo... Quando não são sambas sem suingue, parecem Vanderléia ou Roberto Carlos, mesmo que cantado em outro idioma.

Desse jeito, daqui a 50 anos estaremos re-visitando o arrocha como algo cult... Eu aviso logo, tô fora!!! Se for pra fazer arrocha, prefiro Nara Costa do que qualquer coisa Alternativa.

Mas eu entendo algumas coisas. Na realidade, nada tem a ver com música de fato, e sim com o status de quem ouve (1).

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Como explicar o ódio ao pagode baiano?

Musicalmente, tem mais acordes do que um Blues ( que classicamente só tem 3, e o pagode tem 4 !) Tem tanta letra quanto um Blues tb, afinal, "woke up this morning..." é mais clichê do que "desce mainha".

Tem tanto suingue como qualquer salsa cubana e tanta pornografia como vários estilos, incluindo o rock...

E pq o blues é tão estilizado? A Salsa e o Rock são tão valorizados? Pq hendrix copulando com sua fender é tão legal?

A minha conclusão é clara. Se detesta pagode pq é coisa de pobre.

Novamente, não tem nada de musical aí (2). E até que vire uma coisa cult (prazo de 20 anos) será assim.

Quanto a minha opinião pessoal, lá vai.

Se eliminassemos 75% das bandas, tanto de Pagode como de Blues, o que sobraria seria altamente bom e criativo. Eu é que não preciso de tanta gente dizendo a mesma coisa e da mesma forma.

E digo mais, tenho nada contra o estilo-pagode, mas este é muito do mal feito por um monte de gente que não está afim de colocar a alma na coisa.

E atualmente, eu gosto de qualquer coisa que tenha alma. Se for inovador então, aí já tem minha consideração, mesmo que seja ruim. O que a música atual carece de fato, é de alma e ousadia.

Fora isso, nada a declarar.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Como pedir um caju pra tomar com cachaça.



Estava ele lá, não o rapaz dessa foto, mas outro que há uns dois dias não estava sóbrio e nem dormia. Já tinha feito sushi, matado dois coelhos com uma caixa dágua só, já tinha dançado girando uma lanterna até fazer com que as pessoas perguntassem se ali era a casa de festas do local - A Pagoda Iluminada.

Sempre andando com aquela taça de vinhopeba, e agora, com uma garrafa de ypióca, ainda cheia e fechadinha. Precisava de algo para que o seu resto de fígado dissesse - Agora sim, pode mandar essa cachaça fuleira !!!

E isso, pra alguém como ele, podia ser qualquer coisa. E se não encontrasse nada, seria nada mesmo. Mas... Uma picardia, seria um cachú...

Foi então que avistou uma senhora, humilde, vendedora de peixes, mariscos e muito mais. Da forma mais natural e desengonçada possível foi até ela, imagino eu que sem saber ainda o porquê. E perguntou :

Quanto é o caranguejo?
E o sururu?
E a pititinga?
E o peixe?
Tem peguari? Quanto é?
Quanto sai a lambreta?
Quanto é o polvo?
A cavalinha?
E a lula, tem jogo ?
E se fossem 2 dúzias de ostras mais a agulhinha ?
E o siri com o badejo, a sinhora dá desconto de quanto ?

A pobre da moça foi ficando tonta, meio esbaforida, até que ele desferiu o golpe final :

- Tia, me dá um caju?
- Aqui meu filho...
- Obrigado!

domingo, 8 de março de 2009

Wachtmen

Coisas do meu lado Nerd.

Ainda não assisti, a maior Graphic Novel de todos os tempos e sua adaptação para o cinema. Alan Moore não quer um centavo do filme, cedeu os direitos e não concorda com nada seu nas telonas.

Visto pela densidade do quadrinho, não imagino em três horas. E o visual blockbuster não me agrada nem um pouco... Vamos ver se me surpreendo, como em V de Vingança.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Violência gratuita.

Vejo pessoas aos montes, nos telejornais, recebendo todo tipo de violência - socos, pontapés, gente sendo empurrado penhasco abaixo, gente tomando coronhada, polícia batendo, crianças morrendo, pais desesperados etc e tals...

O que me chama atenção é que em alguns casos, a vítima diz depois de tudo - "eu não reagi, eu fiz o tudo o que ele pediu, mas ele me machucou assim mesmo".

Isso me lembra um conto de Rubem Alves, em que um senhor rico, no meio de um assalto em uma casa de luxo diz :
"Levem o que quiserem, nós não vamos reagir, podem levar tudo"

Logo após ele recebe um tiro com intuito de saber se ele grudaria ou não na parede, com o marginal chegando a conclusão que para tal senhor, eles eram apenas como moscas no açucar.

Na realidade da vida mesmo, ele não chegaria a ser uma mosca, até encontrar aquela sopa em forma de mansão.

Essa violência aí não tem nada de gratuita, nem mesmo em Laranja Mecânica.

Pra mim, a realidade é que a humanidade é especialista em dar tiro no próprio pé.

Incita a violência, trata com indiferença, exclui, abandona, faz filmes em que atirar e matar e ser criminosos são coisas boas, canta a violência, e vive distribuindo muito mais pontapés do que afagos.

Digo, e posso repetir - A Humanidade é especialista em dar tiro no próprio pé, e depois se especializa em perguntar porquê.

Por isso que, toda vez que ouço alguem chorando na Tv, dizendo - "eu não fiz nada", me pergunto - "O que nós deveríamos ter feito?"

A resposta desta pergunta é clara, e acredito que todos temos nos nossos corações, mas infelizmente, só conseguimos ouvir o nosso umbigo...